Começou uma das festas mais importantes do Peru, conhecida como a Festa da Candelária em Puno. Ela é considerada a maior celebração folclórica da região andina do país e uma das mais impressionantes que você pode vivenciar como viajante brasileiro. Não se trata apenas de uma festa realizada em fevereiro, mas de uma manifestação cultural que ultrapassa fronteiras e inspira comunidades ao redor do mundo, reunindo milhares de dançarinos e músicos.
Além disso, visitantes de diferentes países, especialmente do Brasil, chegam para fazer parte dessa experiência única. Todos se reúnem às margens do Lago Titicaca para viver dias intensos de cores, coreografias e tradição na cidade andina mais emblemática do sul do Peru.
Prepare-se para celebrar conosco durante o período do Carnaval e, neste guia, vamos contar tudo o que você precisa saber como viajante que deseja participar desse roteiro verdadeiramente único na vida.
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História da Festa da Candelária em Puno
A devoção à Virgem da Candelária começou no século XVI, com a chegada dos colonizadores espanhóis, que trouxeram a imagem para a região do Peru em 1583. No entanto, a tradição se misturou rapidamente com as crenças locais, incorporando elementos das religiões indígenas, como as tradições dos povos quechua e aimara, que habitaram a região ao redor do Lago Titicaca.
Ao longo dos anos, a festa foi se tornando uma celebração única, unindo o catolicismo e os costumes ancestrais de forma harmônica. Com o passar do tempo, ela foi crescendo em importância e, em 2014, a UNESCO reconheceu sua importância cultural ao declarará-la como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
Quando é a festa da Virgem da Candelária?
A Festa da Virgem de la Candelária acontece todos os anos, geralmente entre final de janeiro e começo de fevereiro, com o pico da celebração ocorrendo no 2 de fevereiro. É um evento que envolve procissões religiosas, danças tradicionais, e uma explosão de cores pelas ruas de Puno. Se você está planejando visitar o Peru durante essa época, com certeza é uma experiência única de vivenciar!

Onde se celebra a Festa da Candelária?
A festa se concentra na cidade de Puno, que é considerada a capital do folclore peruano. Com suas lindas paisagens ao redor do Lago Titicaca, Puno se transforma completamente durante a festa. O grande destaque é a Igreja de San Juan Bautista, onde se encontra a imagem da Virgem de la Candelária, e é de lá que começa a procissão que percorre as ruas cheias de fieis e turistas.
Os principais pontos da celebração em Puno
Os eventos principais acontecem no Santuário da Virgem da Candelária, no Estádio Enrique Torres Belón e nas ruas do centro histórico de Puno, especialmente na Praça de Armas. É na Igreja de São João Batista, onde fica o santuário da Virgem, que se concentra toda a devoção religiosa: ali são realizadas as missas, as novenas e a saída da procissão no dia 2 de fevereiro.
O Estádio Enrique Torres Belón é o palco dos grandes concursos de danças autóctones, onde participam cerca de 100 conjuntos provenientes de diversas comunidades da região, apresentando wifalas, chacareros e carnavais andinos. Além dos espaços da festa, vale explorar a Praça de Armas, a Catedral de Puno (declarada Patrimônio Cultural da Nação em 1972) e as ilhas do Lago Titicaca, como a Ilha dos Uros e a ilha de Taquile.
Como chegar para a festa da candelária
Para os brasileiros, o caminho mais comum é voar até Lima e de lá pegar um voo doméstico para Juliaca, no Aeroporto Internacional Inca Manco Cápac, a cerca de 1 hora de Puno de carro. Outra opção inesquecível é o trem PeruRail Titicaca, que parte de Cusco e chega a Puno atravessando as paisagens dos Andes, com música e dança ao vivo a bordo. É fundamental reservar hospedagem com bastante antecedência, já que a cidade recebe uma enxurrada de visitantes durante a festa. Fevereiro é fresco e chuvoso em Puno, com temperaturas diurnas entre 14 e 15°C e noites de 4 a 5°C, então é indispensável levar agasalhos e impermeável.
| Origem | Rota | Transporte | Tempo estimado |
|---|---|---|---|
| São Paulo / Rio | Brasil → Lima → Juliaca | Avião + transfer | 8h a 12h de voo |
| Lima | Lima → Juliaca | Avião doméstico | 1h30 de voo |
| Juliaca | Juliaca → Puno | Ônibus ou táxi | 1h |
| Cusco | Cusco → Puno | Trem PeruRail Titicaca | 10h30 |
| Cusco | Cusco → Puno | Ônibus | 6h a 7h |
| Arequipa | Arequipa → Puno | Ônibus | 5h a 6h |
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A Celebração da Virgem da Candelária
A Festa da Virgem da Candelária em Puno é uma celebração religiosa e cultural profundamente enraizada na história e identidade do sul do Peru. Todos os anos, no mês de fevereiro, Puno se transforma por várias semanas em um epicentro de fé, tradição e manifestações artísticas, reunindo fiéis, artistas folclóricos, músicos e turistas.
Essa festa tem como ponto central a veneração da Virgem de la Candelária, padroeira da cidade, e é considerada uma das maiores expressões de fé e cultura do país, com mais de cem mil participantes entre dançarinos, músicos e visitantes. A devoção mistura práticas católicas, como missas e procissões, com tradições ancestrais dos povos quechua e aimara, criando uma experiência espiritual e cultural única, que é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
Costumes desta época festa da candelária
A Festa da Candelária de Puno, no Peru, segue um itinerário tradicional que se repete ano após ano, misturando fé católica, cultura andina e expressões artísticas únicas. Reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2011, a celebração mobiliza toda a cidade durante semanas e reúne centenas de grupos folclóricos de diversas comunidades do altiplano.
As novenas e os preparativos espirituais
Tudo começa semanas antes do dia 2 de fevereiro, com as novenas, encontros de oração, cânticos e reflexão dedicados à Virgem de la Candelária, realizados tanto nos templos quanto nas comunidades ao redor de Puno. Esses ritos preparatórios não são apenas religiosos: eles fortalecem os laços comunitários e marcam o início de um período de devoção coletiva que vai crescendo até o auge da festa.
Os concursos folclóricos: dança, trajes e tradição
A partir de meados de janeiro, a programação cultural toma as ruas e os grandes espaços da cidade. Destacam-se os concursos de danças em trajes originários e em trajes de luz, espetáculos vibrantes em que grupos folclóricos de toda a região competem com coreografias tradicionais elaboradas durante meses. Muitas apresentações acontecem no Estádio Universitário Nacional do Altiplano, reunindo centenas de conjuntos e milhares de espectadores. A programação inclui ainda desfiles institucionais e a coroação da Rainha do Folclore, evento simbólico que antecede as celebrações centrais.
A procissão, a Misa de Albas e a veneração final
Nos dias 1º e 2 de fevereiro, a dimensão religiosa da festa chega ao seu ponto mais alto. Na madrugada do dia 2, é celebrada a Misa de Albas, uma missa ao amanhecer de forte tradição andina. Ao longo do dia, acontece a grande procissão em honra à Virgem, com fiéis carregando velas, oferendas e alfombras comemorativas pelas ruas de Puno. Nos dias seguintes, a festa se encerra com a Parada e Veneração da Virgem, um desfile de dançarinos, músicos e devotos que pode durar horas, uma demonstração coletiva de gratidão e fé que marca, com muita emoção, o encerramento da celebração.
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Danças e músicas da festa da Candelária
Um dos elementos mais marcantes da festa é, sem dúvida, a música e as danças tradicionais, que fazem parte não apenas dos concursos oficiais, mas também dos desfiles de rua, procissões e eventos comunitários.
As bandas musicais e grupos de sikuris tocam ritmos andinos tradicionais que acompanham as danças e a movimentação das procissões. O instrumento mais característico é o siku, uma flauta de origem ancestral, tocado em conjunto com bombos e outros instrumentos rítmicos que animam a celebração.
Entre os grupos musicais contemporâneos ligados ao folclore andino que costumam ser associados à festividade estão nomes como Grupo Kaphia e Grupo Nayjama, que interpretam músicas inspiradas na tradição do altiplano e muitas vezes são ouvidos durante apresentações culturais e eventos relacionados à Candelária.
As danças que mais se destacam incluem a Diablada puneña, que simboliza a luta entre forças espirituais em trajes elaborados, e outros ritmos tradicionais associados às comunidades andinas. Essas apresentações são acompanhadas por conjuntos de músicos que tocam ao vivo, gerando um ambiente de celebração contínua por toda a cidade.

Por que a Festa da Candelária é celebrada com velas?
O nome “Candelária” vem do latim festa candelarum, que significa festa das velas. A celebração é realizada todo dia 2 de fevereiro, exatamente quarenta dias após o Natal, seguindo a Lei de Moisés que determinava a purificação da mãe e a apresentação do filho primogênito no templo.
O Papa que transformou a festa em procissão de luz
Em 492 d.C., o Papa Gelásio I oficializou a celebração com procissões noturnas de círios acesos em honra a Nossa Senhora. Décadas depois, em 542 d.C., o imperador Justiniano I levou a tradição ao Oriente, consolidando as velas como símbolo universal da Candelária em toda a Igreja Cristã.
A lenda que espalhou a devoção pelo mundo
Por volta de 1400, nas Ilhas Canárias (Espanha), dois pastores guanches encontraram numa gruta da ilha de Tenerife a imagem de Nossa Senhora rodeada de velas acesas. Desde então, o local se tornou santuário e, com a colonização portuguesa e espanhola, a devoção a Nossa Senhora da Candelária chegou ao Brasil, onde ela é padroeira de cidades como Curitiba (PR), Itu (SP) e Corumbá (MS).

O que comer e beber durante a Festa da Candelária
A gastronomia de Puno é um capítulo à parte da viagem. Com ingredientes típicos do altiplano andino como quinua, chuño (batata desidratada), trucha do Lago Titicaca e carne de alpaca, a culinária puneña é robusta, nutritiva e cheia de personalidade. Durante a festa, restaurantes e feiras de rua ficam movimentados o dia todo e é impossível não se render aos aromas e sabores da região.
Pratos típicos da região
A trucha frita é o prato símbolo de Puno. Extraída diretamente do Lago Titicaca, ela é frita e servida com batatas cozidas, milho e chuño, frequentemente acompanhada de uma salada criolla. Quem prefere algo mais contundente vai se apaixonar pelo chairo, uma sopa espessa preparada com carne de cordeiro, chuño negro, batatas, cenoura, favas e orégano, perfeita para os dias frios da festa. Outro clássico é o chicharrón de alpaca: a carne é cozida até secar toda a água e depois dourada na própria gordura, servida com chuño, batatas e cancha serrana tostada.
Para o café da manhã, o pesque de quinua é a pedida certa, um guisado cremoso de quinua com leite fresco e queijo, simples e muito nutritivo. Quem tiver coragem pode pedir a Huarjata, o famoso caldo de cabeça de porco ou cordeiro, considerado pelos puneños um verdadeiro “levanta defunto” após as longas noites de festa.
As bebidas tradicionais do altiplano
Nenhuma refeição em Puno durante a festa da candelária está completa sem uma boa bebida local. A chicha de jora é a mais tradicional, o api aquece nos dias frios de fevereiro, o muña tea ajuda na adaptação à altitude e a cerveja Cusqueña marca presença em todos os bares e celebrações.
Os mais aventureiros podem experimentar o muña tea, um chá de erva andina que ajuda na adaptação à altitude, algo essencial para quem chega do Brasil diretamente para os quase 3.900 metros de Puno. E é claro, a cerveja Cusqueña, a mais popular do Peru, estará presente em todos os bares e barracas durante os dias de celebração.
